Todos que conhecem o Federico García Louco sabem que ele odeia poesia e a falsidade dos poetas. O cara prefere a ação violenta contra os mentirosos. Não sossegará enquanto o último padre não for enforcado com as tripas do último rei.
Mas, por ironia do destino, o "diário de bordo" dele foi "hackeado"... Eis aqui alguns versos apócrifos deste hacker, oculto habitante dos recônditos do cérebro deste "Dr. Jekkyl/ Mr Hyde" que é o legítimo criador deste blog!
Àqueles (as) que tem "treva própria"...
"treva própria"
muitos exalam, exibem
e exaltam luz
e exaltam luz
eu recuo, reclamo
e recuso.
e recuso.
prefiro o escuro,
o exílio,
o exílio,
o anonimato
completo.
completo.
o locus que habito
não tem escritura,
não tem arquiteto,
um loft no fim da rua,
a que não tem início,
ao lado do precipício
e vista para o abismo.
a vizinhança
é um imenso
é um imenso
terreno baldio,
bordado
e suspenso
e suspenso
no espaço vazio.
A cerca é viva,
retrato de mim.
tulipas, magnólias,
orquídeas, esperança
e poesia
plantadas
no vácuo
do jardim.
no vácuo
do jardim.
viver no escuro,
tem lá seu preço,
ninguem sabe
meu endereço,
sequer o carteiro.
ninguem conhece
meu paradeiro
aqui na latitude
extrema, escura
penumbra infinita.
penumbra infinita.
só recebo visita,
por expresso convite,
em ocasião especial,
ou acaso, incidente.
a casa vira festa,
vira do avesso,
altas horas.
até do tempo
esqueço.
quem passa, nem diz,
alguém tão feliz
na escuridão
caleidoscópica,
que só tem
aqueles
de treva própria.
(E.)
(E.)
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