quinta-feira, 21 de junho de 2012

F. G. Louco Entrevista - A Ressurgência

Como as águas abissais que emergem resfriando a superfície dos oceanos, o nazareno ressurgiu do seu esconderijo na manhã de domingo da páscoa judaica, após permanecer três dias desaparecido.
O boato de que ele havia sido morto na cruz tinha sido espalhado e não foi difícil aumentar a história, enriquecendo-a com os detalhes sobre a "ressureição". Ademais, os executados de fato eram reles indigentes e ninguém apareceu para reclamar os corpos.
Os apóstolos cuidaram de tudo e ninguém desconfiou da farsa.
O Iscariotes e Maria Madalena tinham escapado juntos. E talvez fosse melhor assim, já que ele a "ganhara" no pôquer. Faltava apenas contar isso a ela, o que  não era exatamente tarefa muito fácil, mas isso era lá problema deles.
Por outro lado, o nazareno não precisava saber que o Judas estava  salvo. Ele não iria se arriscar a voltar, ser preso e executado pelos guardas de Pôncio Pilatos.
Os apóstolos se encarregariam de contar os feitos do nazareno, anunciar o "messias" e divulgar suas obras e façanhas desde a Ásia Menor à Península Ibérica.
Pedro  aceitou liderar o empreendimento, o qual  viria a receber o nome de "igreja". Mas negou aos futuros "presidentes" da empresa, sumos pontífices, o direito de casar e ter filhos, pondo em risco o patrimônio da empresa pela divisão em heranças e ações de divórcio.
Os romanos e os sacerdotes apreciaram muito a criação daquela religião, pois o nazareno assim dizia "meu reino não é deste mundo", não fazia concorrência com os césares de Roma, além de manter o povo bastante resignado e disposto a sofrer tanto quanto o "coitadinho" na cruz, garantindo assim o sono tranquilo dos governantes.
Para propaganda e marketing foi designado do séquito do carpinteiro um grande nome, "Saulo de Tarso", depois conhecido por "Paulo", obrigado a trocar de nome durante uma longa viagem a Damasco, já que o antigo nome estava demasiado sujo pelo sangue dos cristãos que perseguiu e comandou a execução.
A seguir, ele próprio e Pedro, o guardador das chaves, viajaram à Roma para a campanha publicitária da nova empresa, pois lá na Judéia os negócios não andavam muito prósperos. Partiram então em busca de novos mercados.
 Lá fizeram poucos amigos e muitos inimigos. 
Os cristãos continuavam sendo jogados aos leões nas arenas para o entretenimento e o alívio do tédio do povo, naqueles períodos que não estavam ocupados com guerras ou outras festas mais interessantes.
Passaram-se três séculos até que o imperador Constantino, um crente fervoroso e com o coração repleto de bondade, capaz de mandar matar a esposa, o cunhado, o sobrinho e o filho, terminou adotando a religião e a igreja do nazareno como instituições oficiais do império romano. Lógico que isso foi um grande passo para os negócios da igreja, permitindo sua expansão e muita fama ao seu patrono.




terça-feira, 19 de junho de 2012

Judas à sua imagem e semelhança

"- Antes de pronunciar qualquer palavra, uma advertência: o direito te reserva três perguntas e o dever me obriga três respostas. A seguir, inverte-se a condição, mas eu te interrogo com uma simples pergunta. O sonho não acaba, mas tu despertarás. E a vida já não será a mesma, jamais será a mesma. Ponderação e astúcia podem te servir mais do que eloquência. Os dados estão lançados. Boa sorte, viajante", disse em voz baixa o clone do Iscariotes, misterioso habitante do plano cartesiano da antimatéria.
Talvez prefirisse o Judas retornar ao labirinto, sair daquela emboscada em que sua mente o deixara e viver para sempre no exílio existencial.

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Judas pensou em perguntas óbvias. "Quem sois?", "de onde vens?", etc, mas atentou às palavras ditas por seu "eu", conselheiro da astúcia e ponderação.
Era óbvio que ele era o próprio Judas. Um Judas isomérico, em forma levógira, seduzindo e desviando a "luz da razão" para o lado do sinistro. Assim tão evidente era também que aquele local servia como um "mirante" do avesso,a sala de leitura quântica da realidade. O lar dos "opositores", o balneário dos exegetas das escrituras das "heresias". Heresis, "o pensar diferente".
Logo atrás, a poucos passos, o campo de batalha enxadrista com peças vivas completava o elenco. Cada uma em sua posição, lado a lado,ia preenchendo o quadriculado e observavam o duelo à parte entre o Iscariotes e seu alter ego.
Um detalhe despertava a curiosidade do examinador: a ausência dos "reis" no tabuleiro, fato capital para um jogo cujo objetivo maior é justo o regicídio!
- Por que um labirinto se transforma em tabuleiro de xadrez no espelho? inquiriu o Iscariotes, fazendo a primeira pergunta.
E sua imagem lhe respondeu:
- Em um "labirinto" se sentem quase todos que pela vida passam. A cada passo,um avanço incerto,a privação do direito de errar, o chão se esvaindo e o risco de deparar-se com um corredor sem saída. Sem esquecer que os passantes do labirinto sequer tem certeza do seu destino, o que realmente estão buscando, muito menos de quem estão fugindo...
O "xadrez" tem a bélica dramaturgia do confronto. Cada um escolhe que papel melhor lhe caberá no elenco da existência.
Alguns, soterrados pela moral de ressentimento, "moral de escravo", conseguirão servir à batalha apenas como "peões". Avançam tímidos, a passos curtos, sem olhar para os lados.
Há ainda aqueles que serão grandes, exuberantes, mas morrerão estáticos e inflexíveis, apenas parcela de figurino e cenário. O jogo os terá como "torres".
Há os "cavalos" e os "bispos", excelentes guerreiros, cinéticos e saltitantes, mas são militares, não pensadores. Apenas cumprem "ordens". Muitas vezes até desconhecem de quem.
O "rei" e a "rainha" são os protagonistas dessa batalha existencialista. Majestades, não por dinastia, mas pela nobreza do espírito humano, "demasiado humano" e do seu reino sem "céu".
Reinam com a "moral do senhor", aquela que sabe de sua existência por si, além e apesar do "inferno" do outro.
Os exércitos de peças brancas e negras não se enfrentam, mas se completam. O xeque-mate é tão somente um impasse momentâneo entre o bem e o mal que habitam o mesmo tabuleiro. Não há escapatória. Há apenas imagens em espelho.

- Onde está o traidor nazareno? perguntou Judas, sem disfaçar o rancor, fazendo assim sua segunda pergunta.

- O teu "mestre" está escondido, mas logo ressurgirá, disparou o Iscariotes do espelho.
Amanhã é o dia do retorno. A páscoa da "ressurreição".
A maior das mentiras. Dir-se-á que jogou xadrez contra a morte e a venceu, mesmo ferido, cansado e abandonado no tabuleiro por todo seu exército.
Para complicar-se ainda mais, perdeu a "rainha" para ti.
A pesada cruz será o símbolo da moral plebéia, submissa e ressentida. Uma religião de devotos  e fiéis "peões" escravos da moral do "coitadinho".
E ele seguirá acreditando que tu morreste no lugar dele, como planejaram seus lacaios em conluio.
Tardará o dia,mas tu o encontrarás.
Até lá,alcatéias e matilhas saudarão teu nome e tua honra com uivos e lamentos na escuridão, na longa noite de espera do teu reencontro com o nazareno.

Judas prosseguiu atento aos vaticínios de seu outrem, como um filho ouvindo os conselhos do pai.

- Por que faltam os reis ao tabuleiro? encerrava o Judas, gastando sua terceira e última pergunta.

- Porque estamos aqui e não lá no tabuleiro, eu e tu. Enquanto isso, nossos exércitos pálidos e obscuros nos aguardam. Mas a escolha é nossa, seremos "reis" ou "peões"?
Judas tentava se equilibrar sobre a afiada lâmina das sentenças do seu "amigo", quando ele disparou, sem misericórdia:

- Agora, conforme o trato, a minha única pergunta, viajante.
Por que tanto te entregas ao sono dos devaneios, quando na tua cama deita-se uma mulher como Madalena, tão cheia de encantos, pronta a te levar mais longe do que qualquer mandrágora?

Num sobressalto, o Iscariotes acordou-se confuso e úmido.
O pensamento enrolava-se como uma cobra a espremer-se mp interior de uma garrafa.
Judas percebeu que já estava sozinho. Madalena partira no meio da noite. Apenas suas roupas ali estavam.

As pegadas na areia invadiam e se perdiam  mar adentro.
Vênus brilhava solitária entre as rugas do breu celeste.
Judas nunca mais foi visto.

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terça-feira, 12 de junho de 2012

F.G. Louco Entrevista - Stella Matutina

Judas e Madalena logo fugiram da cidade. Clandestinos na Galiléia, precisavam de um esconderijo seguro nos arrabaldes das colinas palestinas. Além de tentar descobrir onde estava o infame nazareno. Ela parecia curiosa para saber do prêmio da tal aposta que o carpinteiro perdera, enquanto ele não via a hora de dar o troco, com a ira digna dos castigos do "antigo testamento".
Os apóstolos também deixaram Jerusalém e seguiram para o norte, sob o disfarce de mercadores. Lá pediram pouso em um distinto lupanar. Beberam e jogaram pôquer. E já alta madrugada, após longos debates regados a "arak" e belas companhias,decidiram unânimes que nada revelariam ao seu mestre. Antes, confirmariam o sacrifício e morte do Judas na cruz, conforme o plano.
O breu da noite já ameaçava deformar-se pela incipiente claridade que lhe borrava a moldura, mas o sábado das aleluias nasceria escondido num eclipse total,uma sobreposição de luzes e vultos planetários. Metáforas, quiçá, das tramas e falácias que transcorriam.E quem diria, os corpos celestes prestavam-se a contar parábolas e mirábolas, com licenças poéticas astronômicas. 
Destarte, naquela manhã que se aguardava, o arrebol parou e ficou ali, contrito e submerso nas entrelinhas, espiando o fulgor da estrela da manhã. A "stella matutina" pairava no ar, intersecta e tangente à madrugada.
Um incauto que agora despertasse, ou mesmo o noctâmbulo que tivesse o céu antes de abraçar o sono, teria, por espanto,um sol interrompido,excitado como um vouyer no bordel daquela estrela messalina, sedutora, nua e impávida no horizonte.
Nem todas as crendices, tampouco os telescópios e teorias astrofísicas entenderiam o significado daquele eclipse e de todos os demais que se repetem. Não seriam meros fenômenos naturais ou assombros de malogros, mas uma elegia declamada pelas testemunhas celestes da fraude, um protesto silencioso contra o esconderijo da verdade.

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Judas ainda não desfrutara de uma noite de sono desde que fora entregue aos delírios da mandrágora e os suplícios da prisão.
Havia peregrinado por tantos lugares, reais e imaginários.
Não seria difícil dormir como uma pedra ao cair sobre o catre improvisado com forro de peles de cabra.
Ele sequer provou a pequena ceia que Madalena lhe preparara com pão,cereais, tâmaras e água. A fogueira ao lado da tenda ainda dançava lenta e silenciosa ao vento.
O refúgio não ostentava conforto,mas seria seguro e improvável ao pensar dos inimigos, que ora os perseguiam como Orion e sua matilha em eterna caçada.
Ali passariam aquela noite,às margens da abissal salinidade e dos tesouros do maldito mar Morto, inalando as cinzas devassas de Sodoma e Gomorra soterradas no lodo de salitre.
Madalena adorava o mar Morto como "exílio". Lá passava muitos dos seus dias, banhando-se nua, flutuando na densidade salina. Imaginava a chuva de fogo e enxofre pingando do céu esverdeado para o castigo dos dissolutos. Sentia-se assim uma estátua de sal desafiando os mandamentos divinos.
A madrugada do vale do Jordão guardava um vento gelado que rouba o calor do dia pretérito, jogando-o no desfiladeiro.
Madalena entrou na tenda, afastando o esvoaçante tecido da cobertura, fez do seu véu um improviso de agasalho e só então deitou-se ao lado dele. Judas não a percebeu.
Ela tocou-lhe os ombros e encaixou-se ao corpo dele, encolhendo as pernas, assim se completavam como as formas isômeras  de uma mesma substância. Ele estava quente, atacado pela febre. Um tremor fino e insistente percorria-lhe o corpo.
O Iscariotes seguia viagem em seus sonhos. Agora percorria um longo jardim de labirintos, com corredores de cercas vivas.
A cada passo exasperado, prosseguia em busca da saída, percebendo que o chão atrás de si extinguia-se no vácuo de um abismo.
Não havia concessões para tentativa e erro. O rumo tomado seria definitivo, ainda que fosse um beco sem saída.
Após perambular confuso, deparou-se com uma parede opaca, que mais lhe parecia um muro. As esperanças de uma estimada solução para aquele desafio labiríntico esgotavam-se.
Encurralado e sem escolha, resolveu seguir em frente.
À medida que se aproximava da sólida parede de tijolos úmidos, ela esmaecia feito a neblina das margens de um rio.
Um enorme espelho assumiu seu lugar e as imagens reflexas começaram a se formar em vitral, parte a parte, compondo as peças de um quebra-cabeças.
O Iscariotes parou diante daquela imagem especular que enfrentava, retocada de detalhes em réplica perfeita, à exceção de si mesmo, que não possuía imagem, nem semelhança, ausente do reflexo da tela.
Decidido a decifrar mais criptograma,retomou o fôlego e partiu em rota de colisão pela moldura que a falha da sua imagem imprimia. Já do outro lado da tela vítrea, no avesso da antimatéria que guardam os espelhos, extasiado e perplexo, viu a si mesmo,observando-se com mútuo olhar fixo.
O labirinto desaparecera e, em seu lugar, encontrava-se um tabuleiro de xadrez. Um tabuleiro incomum,montado sobre um campo gramado, com peças vivas, encenado pelos típicos personagens do jogo bélico, cavalos, torres e a fileira de peões.Um fantástico cenário de alegorias,digno das grandes tragédias do teatro romano.
O Judas Iscariotes enantiomorfo permanecia de pé, exatamente na mesma posição que aquele oriundo do intrincado labirinto insolúvel.
Ele olhou para trás, enquanto seu duplo o imitava, sempre instantâneo, como um artista mambembe.
O labirinto e a passagem através do espelho não existiam mais.

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LILITH... Ah, Stella Matutina


sábado, 9 de junho de 2012

Todos que conhecem o Federico García Louco sabem que ele odeia poesia e a falsidade dos poetas. O cara prefere a ação violenta contra os mentirosos. Não sossegará enquanto o último padre não for enforcado com as tripas do último rei.
Mas, por ironia do destino, o "diário de bordo" dele foi "hackeado"... Eis aqui alguns versos apócrifos deste  hacker, oculto habitante dos recônditos do cérebro deste "Dr. Jekkyl/ Mr Hyde" que é o legítimo criador deste blog!
Àqueles (as) que tem "treva própria"...

 "treva própria"

muitos exalam, exibem
e exaltam luz
eu recuo, reclamo
e recuso.
prefiro o escuro,
o exílio,
o anonimato
completo.
o locus que habito 
não tem escritura,
não tem arquiteto,
um loft no fim da rua,
a que não tem início,
ao lado do precipício
 e vista para o abismo.

a vizinhança
é um imenso 
terreno baldio,
 bordado
e suspenso
no espaço vazio.
A cerca é viva,
retrato de mim.
tulipas, magnólias,
orquídeas, esperança
e poesia
plantadas
no vácuo
do jardim.

viver no escuro,
tem lá seu preço,
ninguem sabe
meu endereço,
sequer o carteiro.

ninguem conhece
meu paradeiro
aqui na latitude
extrema, escura
penumbra infinita.

só recebo visita,
por expresso convite,
em ocasião especial,
ou acaso, incidente.

a casa vira festa,
vira do avesso,
altas horas.
até do tempo
esqueço.

quem passa, nem diz,
alguém tão feliz
na escuridão
caleidoscópica,
que só tem
aqueles 
de treva própria.

(E.)

domingo, 3 de junho de 2012

F. G. Louco Entrevista - Atirem as pedras...


Maria Madalena o resgatara da amnésia e das falácias  embebidas pelo delírio alucinógeno, mas havia ainda a hercúlea tarefa de livrar-se dos guardas romanos e da corja de capangas do carpinteiro, a qual parecia tão insolúvel quanto se a dúzia de encargos do titã filho de Zeus fossem confiadas a um mortal desvalido.
 Judas atirou ao chão o pesado pedaço de madeira que trazia imposto à espalda e enxugou a fronte na manga imunda e maltrapilha do manto que lhe emprestavam à nudez. Os soldados tentaram detê-lo,resguardando a ordem, mas ele escapou-se e subindo numa pedra,  gritou:
- Eu não sou o nazareno, sou o Judas, aquele maldito traidor que entregou o cordeiro de deus por um saco de moedas.
A confusão logo se instalou. Vaias acompanhadas por  pedras começaram num crescente, oriundas da multidão. Um cataclisma armava-se em avalanche pétrea, alçado pela tensão superficial da ira popular.
Os guardas assustados tentaram esquivar-se da chuva de pedregulhos, a qual crescia como praga de gafonhotos, abrigando-se sob os escudos centuriões; assim acabaram perdendo-se do prisioneiro.
Quando o tumulto foi debelado e deram-se conta todos, Judas e Madalena já não estavam mais lá.
Fora mais fácil do que o imaginado. Às vezes, a má fama pode ajudar.
Os soldados acabaram dando voz de prisão a três dos insurgentes que teriam incitado o tumulto. E não tiveram dúvida, pregaram-nos às cruzes que já estavam programadas para a execução do dia. Afinal, ordens são ordens e a tarefa precisava ser cumprida.

x.x.x.x.x.x






HELL - On Earth as It is in Hell

 
I Am A Messenger - I Come To You This Day
I Bring A Dreadful Warning - Hear What I Say
Hark Well On My Words And Do Not Delay
Your Faith Will Be The Spade
With Which You Dig Your Own Grave

Chorus
I Have Knowledge - I Have Seen
What Our Master Has Decreed
From This Day O It Shall Be
On Earth As It Is In Hell

Vile Venomous Visions Infest My Dreams
Foul Forthcomings My Brains Unseem
The Wheel Is Spinning, Spawned Is The Seed
Of The Devil Incarnate - Evil Extreme

Our Father Where Are You
Now Your Prophecy's Coming True
When Your Children Scream And Cry
When We Suffer And Will Die Forever
On Earth As It Is In Hell
Who Can We Believe In - Who Can We Turn To Now
Who Will Be Our Saviour In The End
What's The Final Answer - To Rid The Evil Lord
The Only One?
..Or 'Holy One' By Who We Are Condemned