Como as águas abissais que emergem resfriando a superfície dos oceanos, o nazareno ressurgiu do seu esconderijo na manhã de domingo da páscoa judaica, após permanecer três dias desaparecido.
O boato de que ele havia sido morto na cruz tinha sido espalhado e não foi difícil aumentar a história, enriquecendo-a com os detalhes sobre a "ressureição". Ademais, os executados de fato eram reles indigentes e ninguém apareceu para reclamar os corpos.
Os apóstolos cuidaram de tudo e ninguém desconfiou da farsa.
O Iscariotes e Maria Madalena tinham escapado juntos. E talvez fosse melhor assim, já que ele a "ganhara" no pôquer. Faltava apenas contar isso a ela, o que não era exatamente tarefa muito fácil, mas isso era lá problema deles.
Por outro lado, o nazareno não precisava saber que o Judas estava salvo. Ele não iria se arriscar a voltar, ser preso e executado pelos guardas de Pôncio Pilatos.
Os apóstolos se encarregariam de contar os feitos do nazareno, anunciar o "messias" e divulgar suas obras e façanhas desde a Ásia Menor à Península Ibérica.
Pedro aceitou liderar o empreendimento, o qual viria a receber o nome de "igreja". Mas negou aos futuros "presidentes" da empresa, sumos pontífices, o direito de casar e ter filhos, pondo em risco o patrimônio da empresa pela divisão em heranças e ações de divórcio.
Os romanos e os sacerdotes apreciaram muito a criação daquela religião, pois o nazareno assim dizia "meu reino não é deste mundo", não fazia concorrência com os césares de Roma, além de manter o povo bastante resignado e disposto a sofrer tanto quanto o "coitadinho" na cruz, garantindo assim o sono tranquilo dos governantes.
Para propaganda e marketing foi designado do séquito do carpinteiro um grande nome, "Saulo de Tarso", depois conhecido por "Paulo", obrigado a trocar de nome durante uma longa viagem a Damasco, já que o antigo nome estava demasiado sujo pelo sangue dos cristãos que perseguiu e comandou a execução.A seguir, ele próprio e Pedro, o guardador das chaves, viajaram à Roma para a campanha publicitária da nova empresa, pois lá na Judéia os negócios não andavam muito prósperos. Partiram então em busca de novos mercados.
Lá fizeram poucos amigos e muitos inimigos.
Os cristãos continuavam sendo jogados aos leões nas arenas para o entretenimento e o alívio do tédio do povo, naqueles períodos que não estavam ocupados com guerras ou outras festas mais interessantes.
Passaram-se três séculos até que o imperador Constantino, um crente fervoroso e com o coração repleto de bondade, capaz de mandar matar a esposa, o cunhado, o sobrinho e o filho, terminou adotando a religião e a igreja do nazareno como instituições oficiais do império romano. Lógico que isso foi um grande passo para os negócios da igreja, permitindo sua expansão e muita fama ao seu patrono.
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